Câmara visita estações de esgoto



 Cinco vereadores saíram ontem da Câmara, às 11h, em um van, com

 Cinco vereadores saíram ontem da Câmara, às 11h, em um van, com o objetivo de visitar algumas estações de tratamento de esgoto do munipio-ETE. O projeto Câmara em Ação percorreu as estações do bairro Parque Aeroporto, da Vila Badejo, do Engenho da Praia e a do Bosque Azul, além de uma caixa receptora no Aeroporto.  O grupo de parlamentares ficou alarmado por constatar que apenas uma delas, primariamente, trata do esgoto de uma área do município, outra ainda não entrou em funcionamento e as demais apenas despejam os detritos in natura no meio ambiente, afetando especialmente o Canal Campos-Macaé e o Rio Macaé. Os vereadores, após vistoriarem todas as ETEs do município apresentarão um dossiê de imagens ao prefeito Riverton Mussi (sem partido) e pretendem também mobilizar a sociedade para a defesa do ambiente e para a saúde no município.

 Integraram o grupo os vereadores Jorge de Jesus (PRB), Júlio César de Barros (sem partido), Maxwell Vaz (PT), Paulo Paes (PSDB) e Marilena Garcia (PT), que preside a comissão. Ela considerou que é preciso contextualizar historicamente o descaso com a questão do tratamento de esgoto. “O município sofre com isso há muito anos, apesar de existir recurso para absorver essa demanda. Vamos fazer pressão junto à sociedade e ao poder público”, declarou.  A ETE do Aeroporto, a primeira do município, recebe, além do esgoto de todo o bairro, 200 mil litros trazidos diariamente por caminhões limpa-fossa. datada do final da década de setenta, ela é classificada como primária, ou seja, trata de 45% a 50% do material recebido.

Segundo o auxiliar técnico, Diego Gonçalves, da empresa contratada pela prefeitura para esse fim, Espártacos, a ETE teria a capacidade de remover de 70% a 85% dos resíduos sólidos do esgoto que é lançado no Canal Campos-Macaé. O adubo orgânico, resultado do processo, é levado para o lixão da cidade.  Há cerca de três meses o adubo passou a receber peróxido de hidrogênio para eliminar mal cheio que incomoda os moradores do bairro. Contudo, alguns moradores consideram que não perceberam melhora. “Não vejo nenhuma mudança”, concordou Paulo Paes.

 O eletricista aposentado, morador há 26 anos no bairro, Agápito José dos Santos, disse que nos dias quentes o problema se agrava e que está preocupado com o elevado número de pessoas com viroses no bairro. “Além de incomodar, acho que não pode ser bom para a saúde”, reclamou.

O vereador Julinho do Aeroporto observou que a água, produto final do processo, é mais clara se retirada na estação do que se coletada na rede. O técnico explicou que, apesar da prefeitura ter uma equipe para limpeza das caixas de PV do bairro, os resíduos dos canos e manilhas dão o aspecto mais escuro a água.

 A ETE da Vila Badejo foi inaugurada há mais de dez anos e não atende a demanda da localidade, é apenas uma etapa para o despejo in natura do esgoto no canal. A agravante é que o estado de abandono da estação acarretou focos de proliferação de larvas do mosquito da dengue. Em condição semelhante está uma caixa coletora que fica próxima a essa ETE. “Uma caixa de mosquitos”, definiu Jorge de Jesus. A ETE construída para atender o condomínio Bosque Azul, na Ajuda de Baixo, também não trata o esgoto, visto a água preta lançada no canal próximo. “Certamente foi executada apenas como o objetivo de se obter a aprovação do projeto de loteamento, do qual consta essa exigência”, deduziu Maxwell Vaz.

 A estação do Engenho da Praia gerou expectativa aos parlamentares.  Ela está pronta para entrar em funcionamento, segundo o diretor operacional, Luiz Otávio Figueiredo, da firma terceirizada pela Prefeitura, Esagua. Ele descreveu o sistema como híbrido, ou seja, parte aeróbio (ar no processo) e parte anaeróbio (sem ar), e de boa eficiência e baixo custo. Segundo ele, sua eficácia dependerá de constantes análises de eficiência da ETE e de manutenção. Neste processo, o decantador de lodo é fechado, o resíduo não fica exposto. Os vereadores visitarão a ETE da Zona de Negócios de Rio das Ostras (ZEM) com o objetivo de compararem a tecnologia.  

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