Emendas destinarão recursos para o Banco de Leite Humano

Foto:Tiago Ferreira

Mães e especialistas no assunto pediram a implantação do projeto

A partir da audiência pública que discutiu, na tarde de quarta-feira (6), a implantação de um banco de leite humano em Macaé, parlamentares se comprometeram a fazer uma emenda ao orçamento destinando recursos para essa finalidade. Marcel Silvano (PT), Welberth Rezende (PPS) e José Queiróz dos Santos Neto (PTC), o Neto Macaé, pretendem usar as emendas impositivas para viabilizar a execução do projeto. A votação do orçamento está prevista para acontecer na próxima quarta-feira (13), às 10h.

As emendas impositivas permitem a cada vereador indicar investimentos específicos nas áreas da saúde, educação e infraestrutura. A execução é obrigatória desde que não ultrapasse o valor total de R$ 1,163 milhão. Contudo, conforme lembrou Marcel Silvano, raramente elas são cumpridas pelo Executivo. “Acredito que não teremos dificuldade para aprovar essa emenda na Câmara, a dificuldade será na execução pelo prefeito”, esclareceu.

A nutricionista materno-infantil Ana Paula Barros destacou o problema da alergia nos bebês que tomam leite artificial nos primeiros meses de vida. “Os riscos para a saúde do bebê são enormes. Mesmo aqueles que não têm alergia podem sentir o efeito mais tarde, na fase adulta, desenvolvendo doenças, como hipertensão e diabetes, devido à falta do leite materno e à introdução precoce de fórmulas artificiais.”

A enfermeira e consultora de amamentação Lívia Sá frisou que há muitas mães com leite sobrando sem terem como doar devido à falta de um banco de leite humano na cidade. “Esse serviço supriria as necessidades das crianças cujas mães não podem amamentar, seja pela falta do leite ou por alguma enfermidade, além de dar apoio técnico e emocional às mães.”

Leite materno economiza custos

Outro ponto discutido foi o custo do banco de leite humano, que, segundo as especialistas, é mais barato para o município do que prover a fórmula láctea artificial para as mães que não podem comprar. “Com um orçamento de R$ 400 milhões para a saúde, é difícil entender por que não conseguimos viabilizar isso”, disse o vereador Marcel, que presidiu a audiência pública.

A representante da Coordenadoria da Área Técnica de Alimentação e Nutrição do município (Catan), Michele Escobar, informou que foi concluído o plano para a implantação do banco de leite humano em Macaé. “Ele será enviado para o Ministério da Saúde para que possamos receber financiamento federal. Porém, o projeto precisa ser aprovado, mas não há prazo para obtermos essa resposta”.
O vereador Neto acrescentou que foi aprovado pelo Legislativo um requerimento seu solicitando ao Executivo a criação de um banco de leite humano. “Sabemos da dificuldade dos pais para conseguirem o leite nesse momento tão delicado da vida, por isso fiz o requerimento.” O parlamentar Welberth, que também é presidente da Comissão de Saúde da Câmara, se dispôs a mediar uma negociação com o governo para conseguir implantar o projeto na cidade.

Jornalista: Adriana Corrêa

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