Entrevista com Denise Frossard

Antes do evento promovido pela Câmara, a convidada Juíza Denise Frossard

Antes do evento promovido pela Câmara, a convidada Juíza Denise Frossard deu uma entrevista exclusiva para o site, veja abaixo.

Site da Câmara: Como a senhora analisa as políticas públicas anti-violência contra mulher no estado?
Denise Frossard: Eu analiso como uma política, ao longo dos anos, absolutamente equivocada. O Brasil e especialmente o Estado do Rio de Janeiro têm enormes desigualdades sociais e grandes índices de violência contra o cidadão e, sobretudo, contra a mulher. As medidas adotadas foram exclusivamente policiais, o que tem também muita importância, se feitas com eficiência, mas não se leva em conta a questão social. Porque dentre as opções de trabalho e renda, o crime é uma delas, em razão desta enorme desigualdade. É preciso atentar para as políticas de educação e de profissionalização, por exemplo, como aquela que Macaé requer, qualificada. Não se pode estudar o crime só pelo viés da repressão, mas também da prevenção.
Site da Câmara: Qual a importância de iniciativas como o seminário "Mulher: Universo e Desafios", promovido pela Câmara de Macaé com o apoio da Prefeitura, na atual conjuntura?
Denise Frossard: É importantíssimo porque chama a sociedade para participar da visão do problema e da solução. Não é possível combater nenhum tipo de criminalidade sem que a sociedade participe. Por isso eu tenho receio de que se tomem atitudes equivocadas, como ao longo dos anos vem se tomando no Brasil, que começam a desgastar a sociedade por não apresentarem resultados. Com isso, a sociedade começa a se afastar porque não crê mais e se torna num primeiro momento rebelde – Já fomos rebeldes, tivemos a revolução – e depois se torna cínica. É por isso que seminários como este são da maior importância. Vamos propor medidas, soluções e debates.
Site da Câmara: Porque a mulher é transformadora da sociedade?
Denise Frossard: Sem nenhuma imputação de culpa aos homens, a sociedade foi construída por meio da força, e por isso deu errado e buscamos a transformação da sociedade. O desequilíbrio de gêneros no poder é que acarretou toda essa problemática. O mundo exclusivamente masculino não deu certo, como o exclusivamente feminino não dará. A busca deve ser pelo equilíbrio de gêneros. Amarthya Sem, um dos economistas idealizadores do índice de Desenvolvimento Humano-idH, usando uma séries de indicadores, diz que o mundo ainda não se deu conta de que a grande transformação virá do equilíbrio de gêneros. Há necessidade da participação da mulher no poder como equalizadoras. Quando na Primeira Guerra Mundial as mulheres foram convocadas – Por isso eu digo que as mulheres chegaram ao poder pelo sangue – o presidente americano, Wilson, disse que as mulheres teriam que ser reconhecidas não com discursos, mas com a participação delas no poder. Ele terminou o discurso dizendo: "Ainda bem que nós somos filhos dessas mulheres." Agora estamos enfrentado nova guerra: a violência e a criminalidade. Neste momento é lembrada a mulher porque somos nós que perdemos sempre. Em primeiro lugar quando somos vítimas diretas, e dos piores dos crimes, o estupro: a humilhação e a violência física. Depois perder os filhos e o marido. Na guerra urbana somos as maiores perdedoras, mas é essa guerra também que nós é que vamos ganhar.

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