Etes Virgem Santa: desperdícios e mosquitos



Vereadores do projeto Câmara em Ação se impressionam com o que registr

Vereadores do projeto Câmara em Ação se impressionam com o que registraram na vistoria de ontem à Estação de Tratamento de Esgoto da Virgem Santa. No local, existe a obra iniciada pela administração do prefeito Riverton Mussi (sem partido), paralisada desde o ano passado, ao lado da obra iniciada na administração do ex-prefeito e atual deputado federal, Silvio Lopes (PSDB). Essa, uma estrutura de ferragens e cimento, visivelmente deteriorada, com dimensões aproximadas da obra mais recente. Ambas, em especial a primeira, servindo de vasto criadouro para larvas do mosquito transmissor da dengue. Um vigia guarda cerca de vinte peças de equipamento alemão (Huber Technology), além de material acessório, depositados ao ar livre. Alguns componentes se encontram espalhados pelo chão e outros enferrujados.

“A obra é uma imensa caixa de criar mosquito e o esqueleto, um grande desperdício de dinheiro público em ferragem e cimento. Também esse equipamento de primeira no tempo é um absurdo. Muito triste mesmo”, comentou o vereador Jorge de Jesus (PRB). A presidente do Câmara em Ação, Marilena Garcia (PT), também lamentou: “O equipamento parece tecnologia de ponta, se ainda funciona. Isso tudo é o caos. O retrato do abandono que vem de muitos anos. Todo esse dinheiro poderia ter sido usados em escolas ou para construir casas”.

O Câmara em Ação, que começou sua vistoria a todas as Ets de Macaé em 19 de abril, finalizou essa etapa com a estação do Mutum, localizada no bairro Sol y Mar. Segundo o subsíndico do condomínio Solar da Lagoa,  João Augusto Silveira, ela não funciona há mais de quatro anos, desde que foi transferida para a prefeitura pelos moradores das 72 casas. Ele disse ainda que, quando entregue pela empresa Paeserlacher Engenharia Ltda, a pequena estação semitratava os resíduos domésticos. Contudo, desde a transferência para a Prefeitura, na administração anterior, todo o esgoto é lançado in natura diretamente na Lagoa de Imboassica. João Augusto reclama que, apesar da atual administração ter, esse ano, refeito toda a rede de esgoto, não presta manutenção à estação.

A Ete da Virgem Santa foi custeada com recursos de royaties e entrou no orçamento deste ano com o valor de R$ 10 milhões.O secretário de Obras, Tadeu Campos, informou que a obra da Ete da Virgem Santa foi paralisada porque os valores para o empreendimento foram subestimados, o que obrigava a Prefeitura ao fracionamento da verba. Para evitar esse fracionamento e provável questionamento futuro do Tribunal de contas, o prefeito Riverton Mussi, considerou que seria melhor interromper a obra para elaboração de um estudo técnico para obtenção de seu custo real, justificou o secretário. O projeto, replanejado, beneficiaria 120 mil pessoas, dos bairros desde a Ponte da Barra até o limite com Rio das Ostras, e comporia a obra de macro-drenagem. Durante a audiência pública sobre a Lagoa de Imboassica, promovida pela Câmara, o prefeito Riverton Mussi, disse que o reinício das obras da Estação da Virgem Santa depende da liberação do Tribunal de Contas.

Em março do ano passado um grupo de estudos da Câmara Temática de Saneamento Ambiental, que apresentaria propostas para o Plano Diretor, visitou as Etes para produzir um diagnóstico preciso da situação em Macaé. Os técnicos das áreas de saneamento, planejamento, obras e meio-ambiente, orientados pelo engenheiro Danilo Maltez, que coordenava a Câmara de Saneamento, percorreram estações de tratamento de esgoto com o objetivo de elaborar um levantando dos equipamentos e da rede existente no município. A secretaria Municipal de Obras (Semob) contratou a empresa Spártacus. Anteriormente, em dezembro de 2005, a Prefeitura já havia divulgado sua intenção de começar, a partir de 2006, a se estruturar para ter todo o esgoto da cidade tratado.

A Secretaria de Comunicação-Secom informava que as obras da Estação de Tratamento de Esgoto da Virgem Santa estavam sendo concluídas. Além disso, que o município contava com quatro estações de tratamento de esgoto em funcionamento, atendendo a cerca de 50% da população. “As Etes em funcionamento são a do Parque Aeroporto, que tem capacidade para tratar 12 litros por segundo e atende a cerca de 30 mil moradores; a Ete do Engenho da Praia, que trata cerca de 10 litros por segundo, atende a uma população de cerca de 25 mil pessoas e a Ete de São José do Barreto, que trata oito litros por segundo e atende a quase 20 mil pessoas”, noticiava a Secom. Contudo, esse ano, as parlamentares que integram o Projeto Câmara em Ação verificaram que apenas a estação do Parque Aeroporto está operante.

O projeto da Ete da Virgem Santa passou por uma revisão em 2005 e para que a obra pudesse ser finalizada na parte de montagem, abastecimento de água, complementação das tubulações e das redes, e urbanismo da área, a prefeitura realizaria nova licitação em janeiro de 2006. Esta ETE atenderia entre 80 a 100 mil pessoas. A estação teria a capacidade para tratar 30 litros de esgoto por segundo, utilizando três tanques, sendo um de reserva. A previsão era de que o primeiro tanque começasse a funcionar em março e que a estação estivesse operando com sua capacidade total no segundo semestre de 2006.

Em dezembro de 2005, a prefeitura também havia elaborado o projeto para construir mais duas Etes nas proximidades da Lagoa de Imboassica, com o objetivo de evitar o lançamento de esgoto in natura. Uma das Etes seria construída na Fazenda Mutum, para captar o esgoto das localidades de Mirante da Lagoa, São Marcos e da área onde estão localizadas as empresas que prestam serviço à Bacia de Campos. Uma elevatória seria construída nas proximidades da Artemísia, para captar o esgoto das residências situadas no entorno da Lagoa e para levar o esgoto para a Ete da Virgem Santa. Uma outra elevatória também seria construída para atender aos bairros Novo Cavaleiros, Vivendas e condomínios localizados na parte alta do São Marcos.

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