Outubro Rosa: Legislativo debate desafios para o tratamento do câncer de mama na cidade



Vereadores apresentaram propostas para o tratamento da doença

Dificuldades para a realização de exames e a interrupção de repasse de recursos para o tratamento do câncer de mama foram alguns dos problemas levantados em palestra no Grande Expediente da Câmara Municipal de Macaé, nesta quarta-feira (26). A iniciativa fez parte das ações do Outubro Rosa e foi apresentada pela mastologista Karina Crespo Schueler, com participação de Sávio Mussi, oncologista e diretor do Hospital São João Batista. Tomaram parte, ainda, mulheres integrantes do grupo Renascer Costa do Sol, de apoio a vítimas da doença.

 

O requerimento para a realização da palestra foi feito por Renata Paes (PSC), que solicitou a inversão dos trabalhos, para que o Grande Expediente antecedesse a Ordem do Dia. Segundo Karina, em 2016, 38 mulheres tiveram diagnóstico da doença e 19 foram operadas no hospital, estando as demais na fase de quimioterapia. “Os casos detectados, no município e no país, são 80% por meio do autoexame, pela falta de mamógrafo, o que é um absurdo e uma vergonha diante do mundo”, afirmou Sávio.

 

Karina explicou que os nódulos observados no autoexame já apresentam um tamanho avançado, o que não é o ideal para o tratamento. O ato também foi marcado por depoimentos emocionados das mulheres do Renascer Costa do Sol. “Antecipei a mamografia anual pois, no toque, percebi um caroço. A biópsia confirmou o câncer. Fui operada e graças a Deus não foi preciso retirar a mama”, contou Rosimeire do Nascimento. No caso de Renata Lima, foi necessária a retirada da mama esquerda. “Fiz também quimioterapia e radioterapia. É um processo difícil, mas Deus nos sustenta”.

 

“O câncer tem cura e não é o fim. É o início de uma nova vida. Temos que ir à luta”, disse Juliana Dias, que teve diagnóstico da doença há um ano. O grupo, com doze integrantes, recolhe cabelos em um salão para a confecção de perucas e organiza banco de lenços, para o período da quimioterapia. Providencia, ainda, almofadas para apoio do braço na adaptação pós-cirúrgica, além de, por meio do compartilhamento, ajudar no apoio psicológico às pacientes.

 

Apoio da Câmara devido à carência de recursos e equipamentos

 

“No presente momento, não temos agulhas para fazer biópsia, não estamos podendo fazer a reconstrução mamária porque não há próteses e estamos impossibilitados de realizar a radioterapia no município”, afirmou Karina. Sávio disse que uma audiência realizada em 2013, na Câmara, foi fundamental para o combate ao câncer em Macaé. “Porém, mudanças de prioridade e falta de planejamento conduziram à situação atual, em que os repasses da prefeitura para o hospital foram interrompidos”.

 

Segundo ele, que agradeceu ao presidente da Casa, Eduardo Cardoso (PPS), o serviço só não foi interrompido porque o Legislativo passou a destinar recursos mensais ao São João Batista. “Começamos a repassar esses valores a pedido do prefeito Dr. Aluízio”, disse o vereador. Alguns parlamentares apontaram saídas como a de cotizarem ou destinarem recursos do Fundo da Câmara para a compra de mamógrafos.

 

Durante a palestra, também discursaram e apresentaram propostas ou fizeram perguntas Nilton César (PROS), o Cesinha, Amaro Luiz (PSB), Maxwell Vaz (SD), Marcel Silvano (PT), Chico Machado (PDT), Igor Sardinha (PRB) e Manoel Francisco (PMDB), o Manoelzinho das Malvinas.

 

 

 

Jornalista: Marcello Riella Benites

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