Sem-terra pedem para ficar provisoriamente em terra ocupada

Foto:Tiago Ferreira

Rosa, do MST, disse que sem-terra corriam risco de morte em Rio das Ostras e passam necessidade em Macaé.

A Câmara Municipal de Macaé cedeu o Grande Expediente desta terça-feira (26) para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) apresentar o projeto de uma escola agroecológica. Os camponeses também pediram para permanecer provisoriamente na área que ocuparam este ano e que está prevista para o projeto.

Atualmente, eles temem ser retirados a qualquer momento do local, que pertence à prefeitura. O acampamento está localizado na estrada para a Região Serrana.

Foto: Tiago Ferreira

A integrante do MST Rosa Maria da Silva contou que morava em Macaé e devido ao desemprego foi com outras pessoas para o Acampamento Edson Nogueira, em Cantagalo, Rio das Ostras. “Fomos despejados de lá (em abril deste ano) e corríamos risco de violência e morte. Viemos para cá e estamos passando necessidade. Bebemos água de um rio. Somos 120 famílias, algumas vivendo com R$ 200 mensais.

Rosa disse que os sem-terra querem ficar no local até a liberação de terras previstas pela reforma agrária.

O presidente, Eduardo Cardoso (PPS), falou em seguida, dizendo-se emocionado com o depoimento. Marcel Silvano (PT), que solicitou a cessão do Grande Expediente ao movimento, comentou, referindo-se ao prefeito Aluízio dos Santos Júnior (MDB): “Um dia, ouvi o prefeito dizer que era muito sensível à consciência do povo sem-terra que é agredido todos os dias. Acredito nisso e creio que seja por isso que ele recebe o MST”.

Já Maxwell Vaz (SD) criticou. “Na verdade, ele deu um prazo de sete dias para eles saírem de lá”. Paulo Antunes (MDB) afirmou que os vereadores não podem determinar a permanência, mas, sim, intervir junto a Aluízio. “Precisamos, porém, pensar na situação imediata dessas pessoas”.

Escola agroecológica

A Unidade Pedagógica para Desenvolvimento Agroecológico, a ser implantada pelo campus riostrense da Universidade Federal Fluminense (UFF) no Acampamento Edson Nogueira, transferido do município vizinho para Macaé, prevê cursos teórico-práticos de dois, quatro e seis meses. Os cursos receberiam até 400 famílias por ano, provendo hortifrutigranjeiros para o comércio local e merenda escolar.

Também participou da apresentação o professor do curso de Serviço Social da UFF, Ramiro Dulcich Piccolo, coordenador do Projeto de Extensão Terra, Saúde e Direitos, que realiza no Acampamento Osvaldo de Oliveira, em Córrego do Ouro, ações de saúde e estímulo à produção sustentável. Ele disse que as famílias não vão morar no local da escola. “Apenas um grupo permaneceria lá para auxiliar o projeto”.

Jornalista: Marcello Riella Benites

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