Transporte público: audiência debate dupla função e greve

Igor Sardinha (PRB) lamentou a ausência da empresa do Sistema Integrado de Trânsito (SIT).

A dupla função de motorista e cobrador foi o tema abordado inicialmente na audiência pública sobre transporte coletivo, realizada na noite de sexta-feira (21), na Câmara Municipal de Macaé. O evento, motivado principalmente pela recente greve dos rodoviários, foi requerido pelo vereador Igor Sardinha (PRB), que lamentou a ausência da empresa do Sistema Integrado de Trânsito (SIT).  
 

O representante da empresa concessionária, Telmo Joaquim Nunes, alegou, por meio de nota enviada a Igor, que o não comparecimento deveu-se ao fato de a greve estar subjúdice, isto é, as negociações ainda não foram completamente concluídas. “É lamentável, porque a greve não era a única motivação da audiência”, afirmou o vereador, que lembrou os problemas da dupla função, como o perigo que ela representa aos passageiros, o atraso das viagens e a sobrecarga de trabalho e estresse para os motoristas. Marcel Silvano (PT) ainda lembrou o risco de demissões em massa de cobradores.
 

“Caso aprovemos no plenário uma lei que proíba a dupla função, teremos o apoio da Mobilidade?”, perguntou Igor ao subsecretário de trânsito da Secretaria de Mobilidade Urbana, Itacir Indicatti. “Na situação atual, esse é um caso entre SIT e sindicato. Mas a partir da aprovação de qualquer lei nesta Casa, haverá a fiscalização da Mobilidade para o seu cumprimento”, respondeu Indicatti.
 

Israel Barros, motorista, disse que pediu demissão por não suportar a pressão do trabalho em dupla função na empresa. “Caso entre um passageiro por trás, sem pagar, e você não perceba, isso é descontado de você. E sua família sofre porque você já chega em casa cansado, com o psicológico abalado, e não consegue, por exemplo, ser carinhoso com um filho que vem ao seu encontro”, afirmou.

 

GREVE
 

O motorista Eduardo Feitosa da Silva criticou a decisão da Justiça de obrigar o retorno da circulação de 70% da frota, durante a greve. “O justo seria 30%. Mas sabemos que isso arrebentaria o sistema e faria com que a empresa negociasse conosco. Achei muito estranho a greve ter acabado, porque o voto da maioria era pra continuarmos”.
 

Marcel protestou ao tomar conhecimento de informações de que haveria na audiência um funcionário da SIT para delatar trabalhadores que criticassem a empresa: “Essa pessoa deveria se identificar. Não podemos admitir que isso aconteça”.  O presidente da Casa, Eduardo Cardoso (PPS)  – que lamentou o baixo número de vereadores presentes – disse que a Câmara será guardiã dos funcionários que se manifestaram na audiência, e taxou de “covarde” a atitude de delação.
 

Além da dupla função e da greve, foram abordadas na audiência as más condições dos terminais e a licitação para o transporte coletivo, com críticas de Marcel sobre informações de que o contrato com a SIT foi prorrogado até 2020.
 

Jornalista: Marcello Riella Benites
 

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