Vereadores protestam contra crime bárbaro e violência



Na sessão ordinária desta quarta, dia 26, os vereadores se pronunciaram inco

Na sessão ordinária desta quarta, dia 26, os vereadores se pronunciaram inconformados com o assassinato da advogada Ana Luiza Queirós Mattoso, de 61 anos, ocorrido no dia 24, em sua residência. O crime chocou pela barbaridade da execução. A vítima foi esfaqueada no pescoço, sua cabeça foi apedrejada e, por fim, estrangulada até a morte.

A vereadora, Marilena Garcia (PT), foi quem abriu o grande expediente de hoje e ao fazer uso da palavra demonstrou, emocionada, a indignação e a vergonha que sente diante de um caso como este; que classificou como um marco: “a morte de Ana Luisa é um marco, um demonstrativo de que a carnificina está pertinho da gente. Está rondando”, afirmou. E contou: “ouvi de uma pessoa, na última semana, que a violência daqui não atingia os macaenses, que era uma violência localizada. Mas não. Vivemos a desvalorização da vida humana e, ainda assim, não tem explicação para a tortura. Eu hoje estou aqui profundamente envergonhada de ter um mandato”, declarou.

“A morte de Ana Luisa é um marco da barbárie. Morrer sem dor em Macaé virou um privilégio. Não existe resposta religiosa nem técnica. O que faz um ou mais seres humanos amarrarem uma pessoa, esfaquearem e, não satisfeitos, acabarem com o cérebro e a cabeça dessa pessoa, a pedrada? Quantas horas Ana Luisa ficou amarrada,  sofrendo? Quem vai dar essa resposta a filha e a irmã de Ana Luisa? E a todos nós que convivemos com ela e amamos? Eu digo para vocês que ontem foi um dia em que eu me senti tão impotente, que eu me perguntei o que é que eu faço aqui nessa Câmara Municipal. Não existe na literatura, do mundo, um município que tenha sido barbarizado na sua alma, com o impacto do petróleo, como Macaé”, indignou-se a vereadora.

Em seguida, o plenário ficou de pé e fez um minuto de silêncio, a pedido do vereador, Pedro Reis (PSDB). O vereador rebateu as críticas da vereadora, Marilena Garcia, que atribuiu o estado de abandono do município à rixa entre o antigo governo municipal com a esfera estadual: “Não consigo entender essa responsabilidade mortal atribuída a um prefeito, porque nesse tempo a Câmara também esteve presente e apoiou o governo, assim como hoje apóia o prefeito, Riverton. Temos que tomar cuidado e ter responsabilidade com o que falamos”, afirmou. Quanto à morte de Ana Luisa, ele declarou: “me emociono ao falar no assunto. Estive com ela em várias situações e nada justifica. Por isso pedi o silêncio como reflexão, porque às vezes falamos, falamos e, por isso, propus um caminho diferente. A sociedade está apodrecendo e somos frutos dela. Mas a gente consegue mudar”, declarou.

O presidente da Câmara, Eduardo Cardoso (PPS), por sua vez, declarou que não abordaria o caso Aninha: “A mãe dela era amiga da minha mãe, funcionária da Prefeitura e Jair, de quem ficou viúva, era meu amigo. A Associação Médica de Macaé começou na farmácia do pai de Jair e depois mudou para um laboratório que Jair tinha, um escritório pequeno. Com o discurso emocionado e bem executado deMarilena e o discurso emocionado e mais silencioso de Pedro, Lembrei-me de um artigo publicado no jornal O Globo, de domingo, em que autor falava de cenas do filme Tropa de Elite e da Bebel da novela Paraíso Tropical. O que impressionava o cronista, a classe média e classe média-alta, eram cenas do filme em que mostrava o Bope matando criminosos e traficantes e as pessoas vibrando com aquilo. Por outro lado a personagem de Camila Pitanga, na novela das 20h; não por ser prostituta, mas pelo fato de ser uma prostituta de mau caráter e viver de golpes, é a personagem mais querida da classe média. Então, estamos nos acostumando com a violência, com a inversão de valores. Nós passamos a achar que nada nos escandaliza. Escandalizar-se pode ser uma forma de exercer o papel de política. Muitos se escondem, muitos se acovardam, mas a gente faz alguma coisa”, afirmou.

Em sua fala, o vereador e vice-líder do governo na Câmara, Luiz Fernando Pessanha (que entrará para a sigla do PRB, na manhã de sexta, dia 28), reclamou o fato de o delegado da Polícia Civil não ter comparecido à Casa, depois de ser convidado. Ele disse que irá desafiar o delegado: “Ele disse que 20% dos crimes foram elucidados. No dia em que roubaram o meu carro, recentemente, outros três carros foram roubados. Quero saber quais foram recuperados”, disse. E acrescentou: “eu não tenho vergonha de ser vereador. Eu tenho vergonha de ter um estado falido; de saber que uma viatura da Polícia parou no meio de uma
perseguição por falta de gasolina”, criticou.

O vereador, Maxwell Vaz (PT), contou que ao visitar a delegacia, na semana passada, junto ao deputado estadual, Gilberto Palmares (PT), este ficou apavorado com as condições da delegacia. “É isto?”, teria dito o deputado. “É claro que os vereadores desta Casa têm se esforçado. Desde 2005 foi realizado o Fórum de Segurança Pública, alertando as autoridades do município e do estado para os índices de criminalidade que já se fazia assustar”, afirmou. E declarou: “a cada três dias tem um homicídio em Macaé. No outro dia é outra notícia no jornal. Nós não podemos aceitar de jeito nenhum”, alertou.

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