Pandemia: vereadores divergem sobre tratamentos

Foto:Tiago Ferreira

Médicos que atuam na cidade foram convidados por Amaro Luiz

  Na manhã desta quarta-feira (21), a Câmara Municipal de Macaé recebeu médicos que defendem o uso de medicações alternativas para o tratamento da Covid-19, mais conhecidas como “kit covid” e “tratamento precoce”. A presença dos profissionais foi solicitada por Amaro Luiz (PRTB), depois que infectologistas e pesquisadores da UFRJ manifestaram posicionamento contrário durante a sessão do último dia 8.

“O juramento que todos os profissionais da saúde fazem é pela vida. Estamos diante de médicos que se uniram por conta da pandemia. O objetivo não é dividir, mas colaborar com as ações. Cabe ressaltar que nenhum deles tem interesse político ou contrato com fabricantes de medicação”, frisou Amaro.

Segundo o ginecologista Augusto César, as cepas da Covid-19 exigem que o tratamento seja “imediato, inicial”. Para ele, os testes não devem ser vistos como a parte mais importante entre as ações. “Não vai ter testagem para todo mundo. Faço o tratamento (precoce) desde o ano passado e até hoje não tive a doença, mesmo trabalhando exposto ao vírus. Temos alguns casos de sucesso, como nas cidades de Chapecó (SC) e Porto Feliz (SP).”

A médica infectologista Rosangela Cavalcante Xavier fez coro à fala de Augusto. “Tratamento precoce salva vidas. Precisamos dar essa opção o quanto antes em Macaé. Nosso objetivo é abreviar o sofrimento e não deixar essa quantidade de pessoas morrendo todos os dias. Deixem a mídia falar que é contra.”.

Já a alergista Martha Morett alertou para a gravidade da doença no município. “Em um dia, morreram quase 20 pessoas somente no HPM. Não queremos nada diferente do que a medicina faz há milhares de anos.”

Confrontos de dados e defesas

Primeiro inscrito para falar, Thales Coutinho (Podemos) rebateu dados que foram apresentados pelos médicos no plenário. “Fiz aqui uma pesquisa rápida e verifiquei que o prefeito de Chapecó vem omitindo os dados reais. Somente nas últimas duas semanas, Porto Feliz está com taxas muito acima do restante do estado de São Paulo. Outro ponto importante é que devemos ter como base a ciência e não exemplos pessoais. A população deve sempre ouvir a ciência.”

Na sequência, Guto Garcia (PDT) fez críticas ao governo federal, além de lembrar que instituições renomadas, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), afirmam que o tratamento precoce é ineficaz e pode causar riscos ao paciente. “O caminho é a vacina. É o que deu resultado em todo o mundo. Lamento que o presidente seja contra e venha sendo contra todas as medidas preventivas.”

Já Iza Vicente (Rede) elogiou o governo municipal pela decisão em ampliar os testes da Covid-19, assim como as recentes medidas restritivas. “Precisamos, sim, de um diagnóstico rápido. Não dá para ficar insistindo em uma coisa que não funciona ou tomar como regra uma experiência de consultório. Macaé está com queda nos números pelas ações tomadas há algumas semanas. Precisamos de vacinas para todos.”

George Jardim (PSDB) reforçou que nenhuma pessoa deve se medicar sem uma orientação profissional. Luiz Matos (PRB) e Reginaldo do Hospital (Podemos) compartilharam experiências pessoais que tiveram com a Covid-19. Luiz, inclusive, afirmou que teve uma complicação por uso de corticoide em alta dosagem. “Sou diabético e quase precisei ser intubado”, acrescentou.

Edson Chiquini (PSD), que presidiu a sessão, disse que o debate sobre o tema é importante. “Estamos em uma Casa do contraditório. Espero que a gente possa voltar ao normal o quanto antes”. Rafael Amorim (PDT) e Luciano Diniz (Cidadania) ainda citaram ações da prefeitura para amenizar os impactos do vírus.

Saúde mental para os servidores

Antes de encerrar os trabalhos, os vereadores aprovaram, por unanimidade, o Projeto de Lei 033/2021, de Tico Jardim (Pros). Trata-se da iniciativa que cria o Programa de Suporte Psiquiátrico e Psicológico, voltado aos servidores municipais que atuam na linha de frente contra a Covid-19.

“Precisamos dar o apoio necessário a esses profissionais. Eles estão há mais de um ano na luta e exercem um papel fundamental. O poder público deve assegurar um acompanhamento especializado e que reduza os impactos negativos causados pelo ambiente de trabalho.”    Jornalista: Júnior Barbosa


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